Impactos e Benefícios Comerciais para o Agronegócio Brasileiro
O acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul representa um dos mais relevantes movimentos de integração econômica já firmados pelo Brasil. Ao criar uma zona de livre comércio entre dois grandes blocos, o acordo conecta o agronegócio brasileiro a um mercado de mais de 450 milhões de consumidores, caracterizado por alto poder aquisitivo, exigência por qualidade, previsibilidade regulatória e demanda crescente por alimentos.
Para o Brasil — cuja competitividade global está fortemente ancorada no agro — os impactos são estruturais, de médio e longo prazo, indo além do simples aumento de exportações.
1. Abertura Comercial e Redução de Tarifas
O principal benefício imediato do acordo é a redução ou eliminação progressiva de tarifas de importação impostas pela União Europeia a produtos agrícolas e agroindustriais do Mercosul.
- A UE se compromete a eliminar tarifas sobre cerca de 82% das linhas tarifárias agrícolas, com prazos que variam entre 4 e 10 anos, dependendo do produto.
- Em diversos casos, produtos brasileiros enfrentam hoje tarifas elevadas, que podem ultrapassar 20%, 40% ou até mais de 100%. A redução desses custos melhora diretamente a competitividade do produto brasileiro no mercado europeu.
- Para produtos sensíveis, a liberalização ocorre por meio de cotas com tarifas reduzidas ou zeradas, garantindo acesso estável, ainda que controlado.
Esse novo ambiente comercial reduz o custo de entrada do produto brasileiro, favorece contratos de longo prazo e aumenta a previsibilidade para produtores e exportadores.
2. Benefícios por Cadeia Produtiva
Soja, milho e grãos
O Brasil já é um grande fornecedor global de grãos. O acordo:
- Amplia a competitividade frente a fornecedores sem acordo preferencial com a UE;
- Beneficia também derivados, como farelo e óleo, fortalecendo cadeias ligadas à ração animal e à agroindústria;
- Contribui para a diversificação de mercados, reduzindo a dependência excessiva da Ásia, especialmente da China.
Carnes (bovina, aves e suína)
As proteínas animais estão entre os setores mais estratégicos do acordo:
- Carne bovina: acesso via cotas com tarifa reduzida, criando uma porta de entrada previsível em um mercado premium, altamente valorizado.
- Aves: cotas com tarifa zero ampliam significativamente a competitividade do Brasil, líder global no setor.
- Suínos: abertura gradual, com impacto relevante para regiões produtoras.
Embora as cotas não representem liberalização total, elas garantem preço, estabilidade e posicionamento estratégico no mercado europeu.
Etanol e biocombustíveis
O acordo amplia cotas com tarifa zero ou reduzida para:
- Etanol industrial;
- Etanol para outros usos, de forma faseada.
Isso fortalece o Brasil como fornecedor estratégico de energia renovável, alinhando o agro brasileiro às agendas de transição energética e descarbonização da UE.
Produtos de maior valor agregado
Além das commodities, o acordo favorece:
- Café processado, sucos, frutas frescas;
- Alimentos industrializados e bebidas;
- Produtos premium e diferenciados.
Esse ponto é crucial para estimular agroindústria, agregação de valor e aumento da renda ao longo da cadeia, inclusive para pequenos e médios produtores.
3. Impactos Regionais no Brasil
Os benefícios do acordo não se distribuem de forma homogênea. Estados com forte vocação exportadora e cadeias consolidadas tendem a se beneficiar mais.
Centro-Oeste (MT e MS)
- Forte presença em soja, milho e carne bovina;
- Alto percentual das exportações voltado ao agro;
- Boa capacidade de atender exigências sanitárias e de rastreabilidade.
O Centro-Oeste aparece como uma das regiões mais beneficiadas, tanto em volume quanto em geração de valor.
Sul (especialmente Rio Grande do Sul)
- Destaque para arroz, carnes e alimentos processados;
- Benefícios diretos com cotas e tarifas reduzidas;
- Cadeias organizadas e tradição exportadora.
Sudeste e Sul diversificado (SP e PR)
- Ganhos relevantes em café, sucos, frutas, carnes e produtos industrializados;
- Potencial elevado para produtos com maior valor agregado e diferenciação;
- Integração com agroindústria e logística avançada.
4. Investimentos, Competitividade e Estratégia de Longo Prazo
Além do comércio em si, o acordo:
- Aumenta a previsibilidade jurídica e regulatória, estimulando investimentos estrangeiros no agro brasileiro;
- Incentiva modernização, tecnologia e eficiência produtiva;
- Reforça o Brasil como fornecedor confiável de alimentos em um cenário global de insegurança alimentar.
O agronegócio brasileiro deixa de competir apenas por preço e passa a disputar posicionamento estratégico, qualidade e escala sustentável.
5. Sustentabilidade e Exigências Técnicas
O acordo também impõe desafios:
- A UE exige altos padrões de sanidade, rastreabilidade, bem-estar animal e sustentabilidade ambiental;
- Isso pode elevar custos no curto prazo, mas também funciona como indutor de profissionalização e acesso a mercados premium;
- Produtores que se adaptarem tendem a capturar mais valor e reduzir riscos comerciais futuros.
6. Impacto Econômico Geral
Estudos indicam que:
- O acordo pode gerar ganhos bilionários ao longo dos anos para o Brasil;
- O impacto positivo no PIB tende a ser puxado principalmente pelo setor agropecuário e agroindustrial;
- Estados mais exportadores e organizados capturam maior parte desses ganhos.
O acordo União Europeia–Mercosul representa uma mudança estrutural na inserção internacional do agronegócio brasileiro. Ele:
- Amplia acesso a um dos mercados mais exigentes e rentáveis do mundo;
- Reduz barreiras tarifárias históricas;
- Estimula agregação de valor, investimentos e diversificação;
- Reforça o papel do Brasil como potência agroalimentar global.
Mais do que um acordo comercial, trata-se de uma plataforma estratégica de crescimento, modernização e reposicionamento do agro brasileiro no comércio internacional.
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Sim, as variações cambiais ativas sofrem incidência de PIS (0,65%) e COFINS (4%).
No entanto, existe alíquota zero para operações ligadas a exportações e financiamentos contratados pela empresa.





